terça-feira, 15 de dezembro de 2015

certa noite



se eu soubesse dizer a palavra
certa, se existisse essa palavra

(a palavra certa desabou
junto com a última ilusão),

certamente eu colaria à língua
o fogo desse gelo, essa pedra

que respira longe de nós, homens,
e diria sobre o céu de agosto

de uma certa noite que pousou
dentro dos teus olhos de tristeza,
 

diria e o dizer seria como
um soco, um gargalhada, um vento,

uma palavra cheia, um poço,
um abraço, um beijo no teu rosto

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