sexta-feira, 10 de novembro de 2017

agora às seis da tarde
em plena metade da primavera
a garoa eriça a cidade

.
sentado à beira do precipício
minha cama é um penhasco de cascalhos 

que desliza quando eu penso
.
ao final da tarde estou atento
ao tremor imperceptível da minha mão

e ao tamanho de minhas unhas 
.
a saudade faz bolhas no pescoço
e cria calos nas cordas
vocais 

.
mas é primavera
e o gramado está verde
como uma doença

.
tenho um soluço que me visita sempre
tenho um amor que perco todas as noites no sumidouro dos sonhos

e um cheiro de terra entre os dedos pelas manhãs 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sem ter um rei

as veias abertas o tempo fechando  o sol apagando a história repete seu corte um povo se perde se explode até quando puder pisar no chão que...