sábado, 5 de janeiro de 2019

NUVEM

i

nuvem de verão talvez
você venha arreganhar a manhã
acelerar as moléculas 
pinçar o doce (teus lábios vermelhos) 
botar sabor em minha boca seca 

ii

despistar a espera rodar
a cidade desviar dos dardos 


ocupo o peito de palavras  
para subornar minha sina 

mas você elas sempre pousam 
enquanto a tarde termina 

ii


cai o mundo as bocas de lobo
quebram-se o enxame de lixo
infesta o asfalto


eu estou como sempre
triste ainda tremo
sob o teu retrato 

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