sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

DE DESPEDIDA

1
te perder é alimentar
minha língua. gastei
toda a sorte de silêncios
enquanto sonhávamos
em nossos lençóis de seda,
e agora a palavra retorna
àquilo de que sempre foi feita:
terra negra, ferrugem e lâmina.


2
ter você foi engolir a lírica,
escondê-la, por dentro, entre
o estômago e o pâncreas, onde
apenas seus dedos e pés tateavam,
de poemas impronunciáveis.  

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