a multidão, massa
disforme
moldada a ferro e fogo e fome,
não me deixa dormir. depois
do poema, o peso da lágrima,
os ossos esperando o último
ônibus na rodoviária.
o que sai de todas as bocas
abertas quando o dia apina
e o que para em cada ranhura
quando a noite solta os seus ratos
nunca me deixa dormir.
homens e suas barras de ferro,
crianças de calos nas mãos,
veículos virando a rua,
as placas nos troncos das árvores
no mundo que anda sem mim.
é necessário dormir.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
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