domingo, 2 de dezembro de 2018

poemas para depois de esquecer

primeiro

no centro da cidade
o deserto zune dentro
de mim: novembro
y suas bolhas de calor
pregadas na paisagem
por onde cozinho
o caminho sem norte y
sem mote na ponta
cega da língua

segundo

corro os olhos pela rua
testo as letras de um texto
são muitas as caras y são
estranhos os caracteres
por onde os músculos da morte crescem

terceiro

quando penso em você
a língua vacila
alguém me pergunta
quantos anos eu digo
entre as estrelas e a janela
é o melhor lugar
para passear os pássaros 
o caminho do vento
longe leva teu nome
a chuva já nos fez
ferrugem
uma folha em branco
no colo da lua

quando penso em você
minha cabeça faz
bolhas de ar 

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