domingo, 15 de novembro de 2015
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a bunda da besta congelou nos primeiros segundos de contato com a privada sem assento. o gelo de cerâmica era a vida do homem sem intermediários. o banheiro imundo. o maço de cigarros na ponta da pia anunciando impotência. a fumaça meneando por dentro. imaginava, a besta, a bosta saindo num invólucro de tabaco. a bosta fermentada em fumaça dentro do corpo. a merda da minha vida. um bundão. a faca amarela camuflada entre as roupas sujas. imaginava. a vagina implacável da mulher à espera na cama. imaginava. meus dedos, meu pênis, minhas palavras doem ao tocá-la. onde foi que eu perdi o tato? a brasa do cigarro invadindo o filtro. o ódio que vem de graça penetrando nos canteiros onde o amor filtrava as pragas. imaginava. o gosto do ódio intrincando nas tripas. é agora ou nunca. o último pedaço de merda. o cuidado cirúrgico para que o barulho na água não acorde a mulher. imaginava. me caçariam até no inferno. a mão abraçando a faca. terminar com tudo de uma vez por todas. dar ou não a descarga
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