terça-feira, 10 de novembro de 2015

calo

i
é claro que o sol é claro
perfeitamente claro
redondamente calo
de correr tanto os meus olhos
pela luz lenta da tarde

eu vejo é claro que eu vejo
eu vejo os jatos tão claros
do sol salpicando o corpo
do sol vacinando as aves
e os rostos dessa cidade

ii
eu vejo apesar do peso
apertar minha pupila
apesar do som dos ônibus
das motos dos cães do peso
dos passos antepassados
do peso dessa palavra:
sol. vejo apesar do vácuo
eu vejo eu não sei mas vejo 

iii
entre e o homem e o sol
entre o mundo e a minha
vontade de ver
o calor e o frio
o calo macio
da palavra

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