sob o céu cinzento
não há nada vivo
entre as nossas cinzas
entre as nossas cinzas
não há nenhum grito
que estanque o silêncio
que estanque o silêncio
que ecoa e perfura
a pele dos pretos
a pele dos pretos
não há - nunca houve -
os olhos olhando
apenas olhando
acesos de imagens
acesos de imagens
as armas fechadas
as fardas fadadas
as fardas fadadas
ao esquecimento
guardadas num canto
não há nada vivo
correndo nas veias
correndo nas veias
de quem tira a vida
dos últimos índios
dos últimos índios
de quem se traveste
de homem ou deus
de homem ou deus
e persegue e mata
gays e travestis
gays e travestis
não há nada novo
sobre as nossas mãos:
sobre as nossas mãos:
as cinzas já frias
os olhos de mármore
o sangue pingando
de todos os lados
de todos os lados
os dedos em riste
de quem cala e assiste
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