quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Estudo de número 4

meu amor dos quinze anos regendo as roldanas do meu lóbulo
frontal. um urubu do entardecer de uma vila de merda
aterrizando no fôlego inferior dos meus olhos. os dedos
duros do meu avô vasculhando a caixa velha da minha vergonha.
um boneco de bisturi faltando uma perna pendurado
no meu cochilo. a primeira frase afundará todas as outras.
uma pipa rasgada pairando sobre a perfeição.
meu primeiro amor modelando a loteria do resto dos dias.

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