eu me lembro de cada buraco em nossas cabeças
e de como tentávamos preenchê-los com lágrimas
gatos que não paravam em casa canções vagabundas
bancos quebrados em praças desertas viagens envenenadas
como uma criança preenchendo
de paina os ásperos vãos do azulejo
como um palhaço suicida que deseja ser empalhado
para servir de espantalho
(a memória não é solúvel
em meses de dura umidade)
não me esqueço do caos incomunicável das nossas esquinas
e canto cada verso como se fosse o seu último suspiro
terça-feira, 5 de setembro de 2017
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