terça-feira, 5 de setembro de 2017

Estudo

eu me lembro de cada buraco em nossas cabeças
e de como tentávamos preenchê-los com lágrimas
gatos que não paravam em casa canções vagabundas

bancos quebrados em praças desertas viagens envenenadas

como uma criança preenchendo
de paina os ásperos vãos do azulejo 
como um palhaço suicida que deseja ser empalhado 
para servir de espantalho 

(a memória não é solúvel
em meses de dura umidade) 


não me esqueço do caos incomunicável das nossas esquinas
e canto cada verso como se fosse o seu último suspiro  

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