sexta-feira, 8 de setembro de 2017

carta ao vento

i

todos os meus músculos doem de saudade em setembro
talvez você tenha sido o acidente perfeito de que sempre 

falávamos depois de chorarmos a existência 

ii

de tanto não ver agora vejo
talvez você fosse uma flor 
inflamável para as chispas de pano velho
que são os meus olhos desde molequinho


iii

meu corpo tem fome do vento que vem da sua cidade
eu queria uma palavra sua ou uma poeira 
nome meneando no meio das folhas 

iv

minha cabeça é um baralho de cartas em branco 

v

penso que talvez
você tenha sido a única
tristeza que poderia ter valido
a pena e não consigo dormir 



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