segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

que tristeza, t., janeiro é sempre esta janela escancarada para sempre. tudo o que faço é sugado e arrastado pelo vento quente do verão. como é triste um poema como um pomo de meu peito aberto como um enxame na tua caixa cheia de mensagens.

*

um poema não precisa de resposta? é isto que t. está tentando me provar através deste silêncio mortal? terei de me fingir de gelo e letra morta?

*

não suporto o céu da cidade. o sol descendo goela abaixo. os portões cerrados para os meus dentes. voltarei ao diário para esquecer. voltarei a escrever no diário como um cão volta a rolar na carniça



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