sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Carnaval

Não há o que fazer
com a chuva. Por trás
do vidro, tenho vontade
de deitar a cabeça
nos braços de alguém,
ou de escrever um poema
perfeito sobre a imperfeição.

.

E minhas orelhas recolhem
o barulho imbatível dos trovões,
os golpes da água sobre os concretos,
e minha cabeça, colada ao vidro,
pensa no símbolo em branco
que é ter de dizer agora
que me sinto muito
sozinho, azul, uma calamidade
solitária e úmida na madrugada.

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